No dia 18 de abril de 1999 o Pe. Marcelino José Bento Champagnat, fundador do Instituto dos Irmãos Maristas das Escolas, será canonizado por sua Santidade João Paulo II. Um longo processo de 111 anos foi necessário para que o Pe. Champagnat fosse canonizado. A abertura oficial do processo foi em junho de 1888.
Esse processo se divide em duas partes. Na primeira parte, rigorosas pesquisas foram feitas pela Congregação para a causa dos santos em Roma até que, em 1920, o Papa Bento XV proclamou a heroicidade das virtudes de Champagnat. Após essa etapa, a Igreja precisava de uma confirmação de Deus: o decreto de heroicidade das virtudes devia ser ratificado com a prova dos milagres. Um milagre para ser reconhecido como tal precisa da aprovação de três comissões: a médico-científica, a teológica e a eclesial. No momento da beatificação de Champagnat, em 1955, duas curas excepcionais já tinham sido aceitas como milagres: uma nos Estados Unidos, em 1939, e outra em 1941, em Madagascar.
A Igreja ainda precisava da comprovação de um novo milagre para a canonização. Em maio de 1976, o Ir. Heriberto Weber, da Província Marista do Uruguai, na época com 68 anos de idade, caiu gravemente enfermo. Hospitalizado, seu diagnóstico inicial era de câncer pulmonar, bilateral. No dia 13 de julho, irmãos e alunos da Província do Uruguai iniciaram uma novena para pedir que o Beato Marcelino Champagnat intercedesse na cura do irmão. No final da novena, em 25 de julho, o Ir. Heriberto teve uma súbita e imprevisível melhora. Novas radiografias foram feitas e os nódulos nos pulmões tinham desaparecido.
Em 26 de junho de 1997, depois de cuidadosas investigações, a junta médica da Congregação para a causa dos santos definiu a enfermidade do Ir. Heriberto como uma “infecção pulmonar grave, caracterizada por disseminação medular bilateral, com marcada insuficiência respiratória”. E levando em conta que “a cura foi muito rápida, completa e duradoura”, a Junta concluiu que ela era cientificamente inexplicável.
Após a Junta Médica, o processo ainda obteve a aprovação da Comissão de Teólogos e da Comissão de Cardeais e Bispos até que, no dia 9 de janeiro de 1999, o Papa João Paulo II marcasse a data da solene canonização de Marcelino Champagnat para o dia 18 de abril de 1999.